O que faz um país de corredores vencedor?

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Postado em 26 de July de 2016


corrida blogOlá pessoal, tudo bem?

Em um pouco mais de uma semana, se iniciam no Rio De Janeiro, as Olimpíadas. Deixando de lado as manifestações e torcidas negativas, confesso que estou bastante empolgada para o evento. Afinal, são as Olimpíadas!!! Na minha opinião, não existe torneio mais eclético e envolvente, ela engloba tantos esportes, atletas, recordes mundiais e exemplos de superação que chega a me arrepiar.

Facilmente conseguimos reconhecer verdadeiras potências do mundo esportivo como Estados Unidos, Japão, Canadá e também vemos outros países que tentam vencer a qualquer preço como a Rússia, que desafia os limites da legitimidade incentivando o doping (muito triste). Em paralelo com todo este quadro, destacam-se países como a Jamaica e o Quênia que nos assombram nas corridas.

Tanto a Jamaica quanto o Quênia têm uma pobre infraestrutura para o desporto, como vocês devem imaginar. Não existem centros de treinamento, os tênis de corrida são usados até o limite e a alimentação é voltada para sobreviver. Mas então como é possível países assim chegarem tão longe (especialmente nos esportes individuais)? O que nos separam dos Jamaicanos ou Quenianos?

Esses grandes corredores transformaram a conquista de um sonho olímpico em algo que é tudo para eles, em uma oportunidade de melhoria de vida, e provocam orgulho e, principalmente, esperança na nação. Enquanto nós somos o país do futebol, eles são os países da corrida. Culturalmente, tudo parece ser a mesma coisa, mas a turma de lá faz muito com tão pouco ou quase nada! Sei que aqui também temos verdadeiros heróis, mas a luta de lá me chama muito a atenção.

No nosso país temos os adeptos da corrida, uma legião que cresce estrondosamente. Em 2010 éramos mais ou menos 4 milhões de corredores de rua. Hoje somos aproximadamente 6 milhões. Evidentemente nos apaixonamos pela corrida, mas me questiono porque então temos tão poucos exemplos de vencedores?

Chegamos nos Jogos Rio com 44 representantes de corrida, dentre os quais Rosângela Santos, Bruno Lins. Parabéns a estas joias raras. Enquanto Quênia e Jamaica chegam com 99 corredores. Para vocês terem uma ideia, das 25 medalhas de ouro do Quênia em Olimpíadas, 24 foram obtidas com o atletismo e das 67 medalhas conquistadas pela Jamaica, 66 delas foram obtidas no atletismo. Há quatro anos, o país fez a sua melhor campanha da história ao colocar 12 atletas no pódio em Londres. O grande Usain Bolt é Jamaicano !!!!

Poderíamos ter o mesmo número de representantes! Mas precisamos da vontade do sonho maior. Fazendo uma análise sobre eles, nos países africanos eles correm em grupo. Todo mundo junto mesmo. Se preparam e se aquecem com o estímulo de um superar o outro ou se manterem em alto nível. Para mim, a grande mágica é o fenômeno do meio ou grupo social incendiando a capacidade individual das pessoas. Um grupo gera mais resultados que a força de um indivíduo.

E se nós imitarmos este conceito dos africanos? Sei que os esportes individuais são competições individuais, mas e se os treinamentos forem em grupo?

Já pensou se no nosso dia a dia de treinos, de exercícios para ter uma simples vida saudável, fizéssemos tudo em grupo?! O grupo influencia, nos encoraja, motiva e nos molda a sermos melhor.

Será que se desde um simples exercício na academia ou escola ou caminhada víssemos pessoas juntas fazendo atividade, não teríamos uma cultura desportiva mais competitiva? Onde está a força do Quênia? Da Jamaica? Na estrutura física privilegiada dos atletas? E por que treinam tanto? Ou seria por que abraçam a causa de vencer em grupo e pelo grupo?

Vale a pena pensar, sair da caixinha e abraçar a nossa causa. Vale a pena mudar!

Evolua. Pense fora da caixa. Mude-se. Moovup-se.